Setor de Serviços resiste à crise

•3 03UTC maio 03UTC 2009 • Deixe um comentário

 

Economia

Nice Silva
Especial para o Hoje em Dia

As pesquisas mostram que o desemprego não grassou em todos os setores depois da crise econômica global atingir Minas Gerais. O setor de serviços foi o único que conseguiu imunidade relativa contra a crise, apresentando crescimento de 0,2% em relação à media obtida entre julho, agosto e setembro de 2008 frente ao primeiro trimestre deste ano, segundo levantamento da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação João Pinheiro (FJP). Todos os demais setores de atividade ficaram negativos para as contratações no mesmo período de comparação.

(…)

A arquiteta Ana Paula Paiva, que tem escritório homônimo, afirma que a procura anda boa para os projetos. A maioria dos clientes dela, de classes média e alta, continua recorrendo ao conforto da automação residencial, que permite acionar equipamentos domésticos por meio de computadores.
“Esses equipamentos tornam os projetos pelo menos 30% mais caros”, calcula. De janeiro para cá, ela sentiu um pouco de desaquecimento na demanda. De seis, o número de projetos por mês caiu para quatro. “Mesmo assim, não sei se é a crise, ou a quantidade de feriados, que retarda os planos dos clientes”, diz.

Maria Fernanda e Ana Paula são exemplos de profissionais cuja ocupação teve crescimento de 10,4% entre setembro de 2008 e março de 2009. “São os serviços prestados por profissionais universitários autônomos”, pondera o coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação João Pinheiro e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), economista Mário Rodarte.
A pesquisa também mostra que os empregados do comércio tiveram a maior redução (-2,9%) no rendimento real dos salários entre 2008 e 2009. Mesmo assim, a vendedora recém-contratada da Elmo Calçados Márcia Gonçalves comemora o novo emprego, depois de cinco meses sem trabalho. “Começo como temporária por 11 dias, mas tenho possibilidade de ficar para o Dia dos Namorados ou de ser contratada definitivamente”, diz.
No interior, também há oportunidades de emprego. Dentro de um mês, aproximadamente, o Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Uberlândia vai qualificar 100 programadores juniores para a Algar Eletrônica. Serão dois meses e meio de aulas (200 horas) ministradas para pessoas com conhecimento básico em informática e ensino médio completo. O salário previsto está na casa dos R$ 2 mil.
O setor de informática está entre os que mais ficam com vagas ociosas, já que a contratação exige qualificação, como afirma a diretora regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) de Uberlândia, que administra o Sine local, Daisy Afonso.
Ela informa que 11 vagas para analistas da área de tecnologia da informação não tiveram nenhum candidato qualificado. Cheguei a comentar com o sub-secretário que poderíamos anunciá-las em Belo Horizonte, já que não conseguimos preencher”, diz.
Segundo a diretora de Talentos Humanos da Algar Tecnologia, Cida Garcia, a empresa está expandindo a atuação na área de TI e precisa atrair candidatos qualificados para as vagas.
“As empresas têm dificuldade na seleção destes profissionais. Em contrapartida, percebe-se que muitos jovens possuem forte afinidade com informática, dedicam horas de seu tempo na frente do computador, querem trabalhar, mas não possuem o conhecimento técnico necessário”, detalha.
Segundo a coordenadora do Sine Uberlândia, a qualificação dos programadores para a Algar deverá custar R$ 30 mil. “Eles não acreditam quando dizemos que podemos treinar os candidatos tendo como contrapartida a contratação”, diz Daisy.

Qualificação é drama na contratação

Conforme Daisy, a qualificação é o grande drama de quem quer contratar e de quem quer ser contratado. Segundo as estatísticas do Sine de Uberlândia, enquanto 15.792 pessoas foram encaminhadas às 3.312 vagas geradas no primeiro trimestre, apenas 2.472 foram contratadas.
O convencimento dos empresários para aceitar a pouca ou nenhuma experiência dos candidatos custa muitos argumentos à coordenadora.
“No caso da Algar, precisamos negociar muito com a empresa até convencê-los de que valeria a pena ficar com as vagas abertas durante o tempo necessário para o treinamento coletivo”, conta.
Conforme o Sine e a empresa, a capacitação será orientada pela própria Algar, visando a formação do profissional de acordo com a necessidade da empresa.

Estado muda política para o trabalho

Segundo o sub-secretário de Estado de Trabalho e Renda, Fernando Sette, dentro de um mês a secretaria deverá estabelecer convênio com as secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente para estabelecer um monitoramento das empresas que pretendem se estabelecer no Estado.
O objetivo é garantir o conhecimento das vagas que serão geradas, para que o Estado estude formas de preenchê-las atendendo a uma política de emprego definida. Sette admite que a criação de uma política pública para a área do trabalho tem desafios.
“Um deles é trabalhar os dados das diversas pesquisas sobre emprego e desemprego, já que cada uma utiliza conceitos e metodologias completamente diferentes”, afirma.
A crise fez o Governo do Estado repensar a política pública para o trabalho. “Antes, nos preocupávamos com as áreas de baixo índice de desenvolvimento humano (IDH). Com a crise, tivemos que passar a pensar em alternativas de emprego para regiões onde faltava mão-de-obra”, diz o sub-secretário estadual de Trabalho e Renda.
A pressão gerou resultados. No primeiro trimestre, quando somente a Região Metropolitana de Belo Horizonte perdeu 49 mil postos de trabalho em janeiro, 14 mil em fevereiro e 16 mil em março, o Sine-MG conseguiu aumentar a captação de vagas em mais de 10% .

 

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